Grande História

Mesmo com “bombardeio” no STF, o pior veio do ministro da Justiça

29.04.2020 - Brasília/DF - Solenidade de Posse do senhor André Luiz de Almeida Mendonça. Foto:Isaac Amorim/MJSP

Os ataques a hospitais de campanha, o fim do acampamento fascista, o “bombardeio” ao Supremo, a prisão da líder, e muito mais.

No dia em que o Brasil superou as 40 mil mortes por covid-19, Jair Bolsonaro usou as redes sociais para incitar a invasão de hospitais de campanha da parte dos próprios apoiadores. Desde então, estruturas do tipo foram atacadas por bolsolavistas no Rio de Janeiro, no Ceará, e no Espírito Santo.

Gilmar Mendes chamou de crime o que Bolsonaro fez na noite de quinta-feira. Em resposta, Carlos Bolsonaro chamou o ministro do STF de doente metal. Por via das dúvidas, o PSB pediu para a PGR investigar o caso. Mas Augusto Aras, o procurador-geral mais servil da história da República, abriu a investigação poupando o presidente.

Vinte gados pingados

Confusão bem maior, no entanto, ocorria em Brasília. Na manhã de sábado, a Polícia Militar desmontou um acampamento fascista que marchava pela capital sob a liderança de uma militante que adotara um pseudônimo nazista. Em protesto, os vinte gados pingados “ocuparam” o telhado do Congresso Nacional, mas logo foram retirados por ordem de Davi Alcolumbre.

Bombardeio fake

À noite, ameaçaram o STF simulando um bombardeio com fogos de artifício. Foi a gota d’água para finalmente o governador Ibaneis Rocha proibir atos antidemocráticos no Distrito Federal, e deter o mesmo indivíduo que, semanas antes, agrediu profissionais de saúde que pacificamente homenageavam a própria classe no combate à pandemia. No celular dele, já foram encontradas ligações com integrantes do governo Bolsonaro.

Não viu terrorismo

Como esperado, o Supremo mandou uma nota de repúdio daquelas, e recebeu a solidariedade de todos os ex-presidentes vivos: José Sarney, Fernando Collor, FHC, Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer. Quanto a Jair Bolsonaro, que vem macaqueando Donald Trump ao chamar os antifas de terroristas, não viu terrorismo em os próprios apoiadores detonarem explosivos contra a Suprema Corte.

O que qualquer um via

Só na manhã de segunda, a líder do acampamento, que já havia afrontado a Justiça um punhado de vezes, foi presa temporariamente. Para a PGR, o grupo fazia exatamente aquilo que qualquer pessoa pode facilmente testemunhar nas redes sociais dos envolvidos: arrecadava fundos para ações que atentavam contra a Lei de Segurança Nacional.

Demora e conluio

STF e PGR arregaçaram as mangas no que não suportaram a demora da primeira instância. Suspeitando de conluio dos envolvidos com a Polícia Militar, o governador exonerou o subcomandante que deveria ter evitado a ação de sábado.

Reincidente

Mesmo com a proibição de Ibaneis, mais um ato golpista aconteceu no domingo, agora com a presença de Abraham Weintraub, que mais uma vez defendeu a prisão dos membros do Supremo. O ministro da Educação foi multado em R$ 2 mil por não usar máscara, ou menos de 4% do R$ 51 mil que recebeu de auxílio-mudança, privilégio requisitado pelo desbocado por duas oportunidades.

Cadeia x teta

O senador Randolfe Rodrigues foi um pouco mais severo e pediu ao STF a prisão do ministro que, por graça de Edson Fachin, continua investigado no inquérito tocado na casa. Com a situação insustentável, Bolsonaro passou a procurar um substituto para Weintraub. Mas, de alguma forma, o presidente entendeu que cabia uma saída honrosa ao pior ministro da Educação da história deste país. E, para usar uma expressão que o demissionário sacou na reunião ministerial de 22 de abril, cogita-se até arrumar uma “teta” diplomática no exterior — o que naturalmente o distanciaria da Justiça brasileira.

O pior papel

Neste circo de horrores, contudo, ninguém fez mais feio do que André Mendonça. Com vaga no STF prometida há um ano, o ministro da Justiça tomou para si o discurso dos golpistas. E, contrariando até mesmo Dias Toffoli, tratou por nota as instituições democráticas como as vilãs da história. Hoje, achou mais urgente jogar a PF, a PGR e a mesma Lei de Segurança Nacional contra uma charge compartilhada pelo jornalista Ricardo Noblat. Nela, em referência às invasões dos hospitais incentivadas por Bolsonaro, o cartunista Renato Aroeira retrata o presidente da República convertendo uma cruz vermelha em uma suástica. Mas, sobre o neofacismo do governo Bolsonaro, essa coluna já escreveu no início do mês.

Fontes

Esse texto só pôde ser escrito graças ao trabalho de uma imprensa profissional que apurou as informações referenciadas mais acima, e que aqui embaixo é reverenciada: BR Político, CNN Brasil, Congresso em Foco, Correio Braziliense, Época, Estadão, Exame, Folha de S.Paulo, G1, Metrópoles, O Antagonista, O Globo, Poder 360, UOL e Veja.

Não existe país decente sem imprensa livre.

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