Grande História

Os chiliques golpistas de Bolsonaro já não assustam como antes

27.05.2020 - Brasília/DF - Presidente da República Jair Bolsonaro,participa de videoconferência com o senhor Andrzej Sebastian Duda, Presidente da Polônia. Foto: Marcos Corrêa/PR

A vakinha nazista, a censura do gabinete, a astúcia da PF, o HC criminoso, o chilique golpista, e muito mais.

O Vakinha retirou do ar o crowdfunding de um projeto extremista que já havia arrecado mais de R$ 70 mil em doações. Contudo, o serviço vem tardando em explicar se mesmo assim a fortuna será entregue à militante que adotou como pseudônimo uma referência nazista. Trata-se da mesma criatura que, no alvo do inquérito tocado pelo STF contra a disseminação de notícias falsas, insistira nas ameaças a Alexandre de Moraes. O ministro já pediu providências à PGR, que deve mandar o caso à primeira instância visto que a dita cuja não possui foro privilegiado (ainda).

Moraes percebeu que o gabinete do ódio pratica uma forma heterodoxa de censura. Fica a dúvida se também percebeu que atentar contra a liberdade de expressão é um dos crimes de responsabilidade que um presidente da República não pode cometer. Mas, ao acrescentar na quebra de sigilo as movimentações financeiras do período eleitoral, restou a suspeita de que talvez haja mais interesse numa cassação da chapa vitoriosa de 2018 do que no impeachment de Jair Bolsonaro.

Não contava com a astúcia

Talvez por isso o “cloroquiner” tenha ficado colérico com a ação da Polícia Federal. Ou talvez porque a ação tenha nascido de uma solicitação da própria PF, a mesma PF que, na véspera, arrancava risos de Bolsonaro ao caninamente avançar contra Wilson Witzel, governador do Rio de Janeiro e um dos principais adversários políticos do presidente.

Advocacia administrativa

Ignorando que não é mais advogado-geral da União, Andre Mendonça, o fantoche que Dias Toffoli emplacou no Ministério da Justiça, entrou com uma habeas corpus em benefício dos principais alvos do inquérito tocado por Moraes a pedido do próprio… Toffoli. Em outras palavras, colocou o povo brasileiro para bancar a defesa das figuras grotescas do gabinete do ódio. O nome disso é advocacia administrativa, é crime e dá até um ano de cadeia se cometida com interesses ilegítimos — o que parece ser o caso.

Controvérsia

Edson Fachin liberou para julgamento a ação que questiona a legalidade do controverso inquérito. Mas sete dos onze membros do Supremo já se mostraram favoráveis ao trabalho conduzido por Moraes. Segundo criminalistas, e ao contrário do que reclama a família Bolsonaro, há como o STF abrir uma investigação de ofício. E, mesmo que o inquérito venha a ser invalidado, o que é pouco provável, as provas colhidas por ele podem ser aproveitadas de acordo com a jurisprudência das cortes superiores.

Chilique golpista

Restou a Bolsonaro acusar o golpe. Ou novamente ameaçar o Brasil de um, o tipo de absurdo que deveria encaixar os punhos do maldito num par de algemas, mas no Brasil é legalizado mediante a inércia das instituições democráticas. Eduardo Bolsonaro, inclusive, foi o que mais uma vez se assanhou com a agenda golpista, citou o de 1964, defendeu que os militares resolvam a crise política, alertou que o pai pode tomar “medidas enérgicas“, e sentenciou que a imprensa mereceo futuro que se avizinha“.

Me poupe

A boa notícia é que, quando se trata de defender o gabinete do ódio que humilhou publicamente Carlos Alberto dos Santos Cruz e Eduardo Villas Bôas, os militares soam bem menos golpistas que de hábito. Augusto Heleno, que dias atrás ameaçava os demais poderes da República, agora diz que intervenção militar “não resolve nada“. Mas resposta melhor veio de Hamilton Mourão, que mandou um novelesco “me poupe” para Dudu Bananinha. Ao fim, lembrou que o Zero Três nem serviu o Exército, e acrescentou: “quem vai fechar Congresso? Fora de cogitação, não existe situação para isso“.

Não há conserto

Até o Datafolha, cujo método vem sendo questionado por proporcionalmente entrevistar muito menos eleitores que votaram em Fernando Haddad, percebeu que, se a base de apoio ao governo Bolsonaro não cai, aquela que ficava em cima do muro tem saltado para o lado que o rejeita. Deve ter chegado à conclusão de que “não há conserto para o atual governante“. As aspas pertencem a Aldo Rebelo, que acrescentou: “o presidente Bolsonaro perdeu todas as condições de unificar minimamente o país e as instituições“.

Aldo Rebelo?!

Parece desimportante, mas não é. Goste-se ou não, a queda do golpista precisará ser negociada com as Forças Armadas. E ela não será possível sem um mínimo de diálogo com a oposição. Na condição de último ministro da Defesa do governo Dilma, Aldo pode ser esse canal. Ou mais um dos muitos canais que precisam ser explorados para que seja possível desinventar tanta tristeza.

Acabou

Porque, apesar da promessa de que dias como o de ontem não mais irão se repetir, Bolsonaro está cada dia menor. Ontem, nem forças para reunir aliados em ritmo de urgência teve. Ao cogitar impedir Weintraub de prestar esclarecimentos, ouviu que o ministro da Educação poderia terminar preso. Ao recorrer a Luiz Fux, que lhe foi extremamente generoso na campanha eleitoral de 2018, ouviu que ataques a Celso de Mello atingiam todo o STF. Restou apelar aos sabujos, que fizeram a sabujice esperada. Mas, ao que tudo indica, mesmo nos recortes mais próximos, a paciência com este governo de fato acabou.

Fontes

Esse texto só pôde ser escrito graças ao trabalho de uma imprensa profissional que apurou as informações referenciadas mais acima, e que aqui embaixo é reverenciada: BR Político, CNN Brasil, El País, Estadão, Folha de S.Paulo, G1, Metrópoles, O Antagonista, O Globo, Piauí, The Intercept, UOL e Veja.

Não existe país decente sem imprensa livre.

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