Jair Bolsonaro e Henrique Mandetta
Grande História

Como Jair Bolsonaro sabota o combate à covid-19

Do surgimento do vírus à morte de mais de 200 mil brasileiro, uma jornada que vai muito além de crimes de responsabilidade.

20.03.2020 - Brasília/DF - Presidente da República, Jair Bolsonaro e Ministros de Estado participam de videoconferência com representantes da Iniciativa Privada. Foto: Isac Nóbrega/PR.

12 de dezembro de 2019

Cientistas chineses detectam um novo surto viral que, apenas no mês seguinte, em referência à oitava cidade mais populosa da China, seria noticiado como “vírus de Wuhan“.

A cronologia do noticiário, contudo, é distinta das dos fatos. E há vários indícios de que, em datas anteriores, o tal vírus já circulava pela Espanha, França e até Brasil — além de, claro, a própria China.

31 de dezembro de 2019

Dezenove dias de estudos após a detecção inicial, a China reporta à Organização Mundial de Saúde que uma pneumonia de causa desconhecida fora observada em Wuhan.

8 de janeiro de 2020

Menos de um mês após a detecção do surto, cientistas chineses descobrem que a pneumonia vinha sendo causada por um novo tipo de coronavírus.

9 de janeiro de 2020

Um senhor de 61 anos que frequentava o Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Wuhan é oficialmente a primeira vítima fatal da covid-19. O fato só seria seria noticiado, contudo, dois dias depois.

13 janeiro de 2020

Com até então apenas 41 casos confirmados na China, um primeiro diagnóstico de covid-19 foi registrado além das fronteiras chinesas. A vítima havia voltado de Wuhan para a Tailândia cinco dias antes.

28 de janeiro de 2020

Com mais de 4,5 mil casos de covid-19 em todo o mundo, e 106 mortos, Jair Bolsonaro nega ajuda a um grupo de 70 brasileiros que, segundo o Itamaraty, encontrava-se próximo a Wuhan.

Após cinco dias, brasileiros que se encontravam na China gravariam um vídeo implorando ajuda. Três dias depois, dois aviões da FAB decolariam para o resgate. Nenhum dos 58 resgatados estava doente.

30 de janeiro de 2020

Com quase 10 mil casos confirmados, e mais de 200 mortes catalogadas em todo o mundo, a OMS declara o surto do novo coronavírus como uma emergência de saúde pública internacional.

19 de fevereiro de 2020

Didier Raoult, microbiologista francês, em um problemático artigo que se baseia num estudo chinês, espalha que a avaliação clínica confirmara que a cloroquina seria eficaz contra o novo coronavírus.

26 de fevereiro de 2020

O Brasil confirma o primeiro caso de covid-19.

07 de março de 2020, 13 casos confirmados no Brasil

Mesmo com o mundo já paralisado pela covid-19, Jair Bolsonaro viaja aos Estados Unidos para mais uma constrangedora sessão de tietagem de Donald Trump.

Ao menos 23 membros da comitiva voltariam ao Brasil com covid-19.

A Fox News chegaria a noticiar que Jair Bolsonaro também adoecera, mas precisaria voltar atrás após Eduardo Bolsonaro mudar a versão que dera à emissora.

Por dois meses, contudo, o próprio Bolsonaro faria questão de esconder da imprensa o exame que poderia comprovar a veracidade da segunda versão apresentada pelo terceiro filho do presidente.

13 de março de 2020, 151 casos

Com o drama italiano assustando o mundo nos telejornais, as autoridades já defendiam a adoção do isolamento social. Nessa data, algumas escolas brasileiras interrompem as atividades.

15 de março de 2020, 162 casos

Ignorando o isolamento social, Jair Bolsonaro participa do primeiro de vários atos golpistas que, aos domingos, contariam com a presença do presidente da República.

Ao menos a primeira exibição antidemocrática e contrária às medidas sanitárias recomendadas pelo Ministério da Saúde é feita na companhia de Antonio Barra Torres, presidente da Anvisa.

16 de março de 2020, 200 casos

Um ensaio de Didier Raoult diz que “o tratamento com cloroquina está associado à redução/desaparecimento da carga viral em pacientes com covid-19, e seu efeito é reforçado pela azitromicina“.

Mesmo com 300 mil casos de covid-19 em todo o mundo, o ensaio de Raoult avaliara apenas vinte, vindo em maio a ser retirado do ar pelos próprios autores sem jamais ser publicado em revista científica.

17 de março de 2020, 321 casos

Mesmo com a confirmação de uma primeira vítima fatal da covid-19 no Brasil, Jair Bolsonaro não esconde que o protagonismo do ministro da Saúde o incomoda.

Ignorando as instruções que Luiz Henrique Mandetta dava diariamente na TV, o presidente da República promete receber mais de mil convidados no próprio aniversário.

19 de março de 2020, 6 mortos

Com base no ensaio de Didier Raoult, Donald Trump diz ao mundo que agilizaria a burocracia para que a cloroquina fosse utilizada no combate ao novo coronavírus.

20 de março de 2020, 11 mortos

Jair Bolsonaro minimiza a gravidade da pandemia argumentando que, “depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar“.

Diante da inércia do Governo Federal, os governadores estaduais começam a se movimentar contra a pandemia, o que findaria em protestos do presidente da República.

Eduardo Bolsonaro, por sua vez, gera uma crise diplomática com a China, provocando uma reação da embaixada chinesa que forçaria um pedido de desculpas do presidente da Câmara Federal.

21 de março de 2020, 15 mortos

Jair Bolsonaro xinga João Doria de lunático, e ameaça tomar medidas judiciais contra o isolamento social adotado pelos governos estaduais.

Habituado a imitar Donald Trump, o presidente brasileiro anuncia nas redes sociais que ordenara o Exército a aumentar a produção da cloroquina, o medicamento usado contra a malária no Brasil.

22 de março de 2020, 25 mortos

Jair Bolsonaro chama de exagerados os números do próprio Ministério da Saúde. E, mais uma vez mentindo, espalha que governadores e imprensa estariam ludibriando a opinião pública.

24 de março de 2020, 46 mortos

Em pronunciamento na TV, Jair Bolsonaro cinicamente prega contra o isolamento social. Para tanto, alega que, pelo passado de atleta, estaria protegido contra o que novamente chama de “gripezinha“.

25 de março de 2020, 59 mortos

Após Jair Bolsonaro defender o relaxamento do isolamento social, os Correios passam a descontar parte da remuneração dos funcionários que estavam em quarentena.

Alertado do risco de o Brasil vir a ter 200 mil vítimas fatais da covid-19, Jair Bolsonaro diz que o mundo todo terá no máximo 20 mil mortos.

26 de março de 2020, 77 mortos

A oposição queria R$ 500,00 de auxílio emergencial, mais do que o dobro dos R$ 200,00 propostos pelo governo Bolsonaro.

Quando percebe que perderia, sem qualquer estudo de impacto, o governo Bolsonaro propõe aumentar o voucher para R$ 600,00, cantando como própria uma nítida vitória da oposição.

Seis dias depois, contudo, Carlos Bolsonaro “xingaria” a renda mínima de “socialismo“, e os entusiastas da ideia de “papel higiênico da esquerda em troca de migalhas“.

27 de março de 2020, 92 mortos

Contra o isolamento social, Jair Bolsonaro defende o que chama de “isolamento vertical“, uma medida que protegeria apenas grupos de risco. Mas admite não ter qualquer estudo que embase a ideia.

Um estudo do Imperial College prevê a morte de ao menos 44 mil brasileiros. Mas a tragédia poderia superar os 500 mil óbitos caso fosse adotado o isolamento vertical proposto por Bolsonaro.

A Justiça, então, proíbe Jair Bolsonaro de adotar medidas que sabotem o isolamento social.

Em paralelo, contudo, a Secretaria de Comunicação, ao custo de R$ 5 milhões não licitados, prepara uma campanha contra o isolamento social.

28 de março de 2020, 111 mortos

A Justiça Federal impede que o governo Bolsonaro veicule a campanha contra o isolamento social.

29 de março de 2020, 136 mortos

No WhatsApp, Jair Bolsonaro incentiva apoiadores a sabotar o isolamento social.

Nas ruas, em passeio desnecessário pelo comércio, Jair Bolsonaro desafia recomendações do próprio ministro da Saúde, e ameaça assinar um decreto para acabar com o isolamento social.

30 de março de 2020, 159 mortos

Jair Bolsonaro esvazia o comitê de crise, acaba com as esclarecedoras coletivas diárias do Ministério da Saúde, e espalha uma mentira sobre uma morte acidental ter inflado números da covid-19.

Augusto Aras, evidenciando que não atende aos interesses da população, mas aos do Palácio do Planalto, pede ao STF para que derrube os decretos que estipulavam o isolamento social.

1º de abril de 2020, 240 mortos

Pregando contra o isolamento social, Jair Bolsonaro compartilha um vídeo falso sobre um desabastecimento que, na verdade, não ocorria em lugar nenhum.

Nessa mesma data, a fornecedora que venderia cloroquina 167% mais cara ao Exército é consultada pelo governo Bolsonaro antes mesmo da formalização do processo público de consulta de preços.

2 de abril de 2020, 324 mortos

Reclamando que os governadores estariam com o que chamou de “medinho” da doença, Jair Bolsonaro diz que só faltava apoio popular para assinar um decreto já pronto contra o isolamento social.

O ministro da Saúde relata aos presidente da Câmara e Senado que o presidente da República pedira para que se demitisse, mas ouviria o ministro responder que, se assim quisesse, o próprio presidente o exonerasse.

13 de abril de 2020, 1.328 mortos

Jair Bolsonaro veta o uso de dados de celulares no mapeamento do isolamento social.

Em Manaus, um estudo sobre cloroquina é interrompido após o medicamento apresentar riscos à saúde dos voluntários.

Insatisfeito com o resultado negativo do experimento, o governo Bolsonaro decidiria aparelhar a Fundação Oswaldo Cruz. Nas redes sociais, os pesquisadores da Fiocruz seriam ameaçados.

16 de abril de 2020, 1.924 mortos

Após colocar até uma Abin clandestina contra o ministro, Jair Bolsonaro demite Luiz Henrique Mandetta por constantemente ignorar a insanidade presidencial e trabalhar em sintonia com a OMS.

17 de abril de 2020, 2.141 mortos

Jair Bolsonaro volta a defender a abertura do comércio, mas promete assumir a responsabilidade caso a situação piore.

Na mesma data, o presidente da República pede ao ministro da Justiça para reabrir as fronteiras do país.

19 de abril de 2020, 2.462 mortos

Em sintonia com o chefe, Abraham Weintraub, o pior ministro da Educação de todos os tempos, promete premiar universidades que sabotem o isolamento social.

20 de abril de 2020, 2.587 mortos

Ao ser alertado do alto número de mortes do dia, Jair Bolsonaro responde a um jornalista: “Eu não sou coveiro, tá certo?

Na mesma data, o ainda ministro Celso de Mello usa o cargo no STF para impedir o Ministério da Saúde de confiscar 68 respiradores comprados pelo governo do Maranhão.

22 de abril de 2020, 2.906 mortos

Em reunião ministerial, Jair Bolsonaro reclama que o diretor-geral da Polícia Rodoviária, que seria demitido por causa da homenagem, não destacou em nota as comorbidades de um policial morto pela covid-19.

25 de abril de 2020, 4.057 mortos

De mais de 14 mil respiradores prometidos, o Governo Federal agenda a entrega de menos de 300.

26 de abril de 2020, 4.286 mortos

Quarenta dias depois da promessa, o Governo Federal havia entregue menos de 20% dos leitos de UTI prometidos para o enfrentamento da covid-19.

27 de abril de 2020, 4.603 mortos

O presidente é alertado pela Abin que a pandemia avançava com tanta força no Norte do país que já provocava caos nos cemitérios de Manaus. O alerta, no entanto, é ignorado.

O departamento jurídico observa que o preço da cloroquina estava 167% mais caro. Mesmo assim, o Exército concluiria a compra do medicamento sabidamente ineficaz no combate à covid-19.

28 de abril de 2020, 5.083 mortos

Ao ouvir uma repórter citar que o Brasil superou a China no total de mortos por covid-19, Jair Bolsonaro responde: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Sou Messias, mas não faço milagre“.

7 de maio de 2020, 9.190 mortos

Sem constar na agenda de quaisquer dos ministros, Jair Bolsonaro leva um grupo de empresários para pressionar o presidente do STF para que afrouxasse o isolamento social em prática no país.

11 de maio de 2020, 11.653 mortos

Jair Bolsonaro inclui academias e salões de beleza como serviços essenciais, e cogita vetar o pagamento de auxílio emergencial às categorias, forçando uma exposição dos profissionais aos riscos da pandemia.

13 de maio de 2020, 13.240 mortos

Jair Bolsonaro finalmente apresenta o exame negativo para covid-19, uma prova que sonegava à opinião pública havia dois meses.

Em paralelo, o Exército compra os primeiros 100 kg dos 600 kgs de insumos para a produção de cloroquina com valor 167% mais caro do que a contratação anterior.

14 de maio de 2020, 13.999 mortos

Jair Bolsonaro edita uma Medida Provisória isentando de responsabilidade agentes públicos que, como ele, pecavam por ação ou omissão em atos relacionados à pandemia.

15 de maio de 2020, 14.962 mortos

O governo Bolsonaro dificulta o acesso ao auxílio emergencial condicionando o socorro à retirada de ações contra a União da parte de estados e municípios.

Por não concordar com a insistência presidencial no uso da cloroquina, medicação sem eficácia comprovada contra a covid-19, Nelson Teich se demite do comando do Ministério da Saúde.

16 de maio de 2020, 15.662 mortos

Com a pandemia no 80º dia, o governo Bolsonaro tinha enviado aos estados menos de 3% dos respiradores prometidos.

20 de maio de 2020, 18.859 mortos

Já sem ministro da Saúde, o governo muda a orientação sobre uso da cloroquina, permitindo que médicos irresponsáveis prescrevam um remédio sem eficácia comprovada no tratamento da covid-19.

Decisão tão grave, irresponsável e criminosa é feita sem qualquer consulta à Anvisa.

21 de maio de 2020, 20.047 mortos

Através da portaria 1.393, e futuramente da portaria 1.448, ambas assinadas por Eduardo Pazuello, o governo Bolsonaro repassa R$ 7,6 milhões para entidades que NÃO tratam casos de covid-19.

25 de maio de 2020, 23.473 mortos

Pela primeira vez, o Brasil surge nas estatísticas como o país que, em todo o mundo, contabiliza mais mortes por covid-19 no intervalo de 24 horas.

Técnicos do Ministério da Saúde avisam Eduardo Pazuello que, sem isolamento social, o Brasil precisaria de até dois anos para se livrar da covid-19.

O Comitê de Operações de Emergência alertou o Ministério da Saúde que o governo Bolsonaro corria o risco de ficar com milhões de comprimidos de cloroquina encalhados no estoque.

27 de maio de 2020, 25.598 mortos

Mesmo com a pandemia no 92º dia, o governo Bolsonaro havia executado menos de 7% dos R$ 11,74 bilhões disponibilizados para o combate à pandemia.

28 de maio de 2020, 26.764 mortos

O governo Bolsonaro revogou uma portaria que obrigava a adesão ao isolamento social da parte de indivíduos com suspeita de covid-19.

29 de maio de 2020, 27.878 mortos

A omissão de dados sobre escassez de insumos e medicamentos é discutida e recomendada em mais uma reunião do Comitê de Operações de Emergência do governo Bolsonaro.

3 de junho de 2020, 32.548 mortos

Jair Bolsonaro veta o uso de R$ 8,6 bilhões —de um fundo que nem mais existia— no combate à covid-19.

5 de junho de 2020, 35.026 mortos

Jair Bolsonaro pressiona o Ministério da Saúde para dificultar o acesso da imprensa e da população às estatísticas sobre o avanço da covid-19 no Brasil.

11 de junho de 2020, 40.919 mortos

Jair Bolsonaro recomenda que os próprios apoiadores invadam hospitais de campanha em busca de provas de que estariam vazios — o que resultou em tumultos nos dias que se seguiram.

O presidente também diz ter vetado o trecho de um projeto de lei que permitia a síndicos de todo o país barrar festas em condomínios, evitando aglomerações.

19 de junho de 2020, 48.954 mortos

O Brasil supera o milhão de casos, e ainda quebra o recorde mundial de diagnósticos confirmados em um único dia.

Jair Bolsonaro, no entanto, estava mais preocupado em reabrir o comércio e acabar com as tomadas de três pinos.

20 de junho de 2020, 49.967 mortos

Desde o início da pandemia, de 632 compromissos na agenda presidencial, apenas 47 tinham alguma relação com o combate ao novo coronavírus. No mês anterior, tinham sido apenas seis.

21 de junho de 2020, 50.591 mortos

Como o governo Bolsonaro nada faz neste sentido, o Congresso Nacional se compromete a decretar luto pelos mais de 50 mil brasileiros mortos.

Nessa mesma data, Carlos Bolsonaro solta uma nota de pesar, mas pelo que trata como uma instauração do “socialismo” na Argentina — algo que só acontecia na mente lunática do vereador carioca.

23 de junho de 2020, 52.645 mortos

O Ministério da Economia envia um ofício ao Ministério da Saúde questionando o interesse em importar seringas da China. O ofício seria ignorado por pelo menos seis meses.

24 de junho de 2020, 53.830 mortos

O Tribunal de Contas da União aprova um relatório afirmando que o governo Bolsonaro não possui diretrizes para combater a covid-19, o que poderia resultar em mais mortes e desperdício de verba pública.

26 de junho de 2020, 55.961 mortos

Ignorando todos os alertas, o Exército acumula no próprio laboratório cloroquina suficiente para 18 anos das necessidades reais do país.

27 de junho de 2020, 57.070 mortos

Em viagem não agendada, Jair Bolsonaro, sem qualquer proteção contra a covid-19, provoca aglomerações enquanto cumprimentava simpatizantes às margens da BR-050.

29 de junho de 2020, 58.314 mortos

O Ministério da Saúde dispara a ao menos 20 destinatários um pedido para que a cloroquina fosse considerada no que chama de “tratamento medicamentoso precoce” da covid-19.

01 de julho de 2020, 60.632 mortos

O governo Bolsonaro desvia a um programa de Michelle Bolsonaro por volta de R$ 7,5 milhões doados para a compra de testes rápidos da covid-19.

Por usa vez, o programa liderado pela primeira-dama repassaria, sem qualquer concorrência, verbas a missões evangélicas aliadas da ministra Damares Alves.

03 de julho de 2020, 63.174 mortos

Jair Bolsonaro veta o uso obrigatório de máscaras no comércio, indústrias, escolas, templos religiosos e locais fechados nos quais ocorram reuniões de pessoas.

Alegando ser “coisa de viado“, o presidente da República se recusava a usar máscara mesmo em ambiente de trabalho, o que forçava funcionários e visitantes a seguirem o mau exemplo.

Até então, a Presidência da República já acumulava 108 casos de covid-19.

4 de julho de 2020, 64.265 mortos

Sem qualquer proteção contra a covid-19, Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e alguns dos próprios ministros celebram a independência dos Estados Unidos com o embaixador americano.

6 de julho de 2020, 65.487 mortos

Apenas dois dias após o almoço com o embaixador americano, Jair Bolsonaro passa a apresentar sintomas de covid-19.

Mesmo assim, o presidente da República ampliou o veto de forma a acabar com a obrigação do uso de máscara também em prisões, o que seria derrubado por Gilmar Mendes no mês seguinte.

7 de julho de 2020, 66.741 mortos

Jair Bolsonaro diz estar com covid-19.

Nos dias que antecederam o diagnóstico positivo, o presidente da República havia se aglomerado com centenas de pessoas.

Diferente da primeira vez, quando, alegando segurança, teria feito uso de pseudônimos ao realizar exames médicos, o presidente da República divulga um teste com o próprio nome e sobrenome.

Jair Bolsonaro aproveita o próprio drama para mais uma vez, com muita desinformação, promover o uso irresponsável de cloroquina.

Contudo, diferente da população mais carente que não possui acesso a tamanha estrutura, o presidente da República faz dois testes cardíacos diários para medir os efeitos colaterais da cloroquina.

8 de julho de 2020, 67.964 mortos

Jair Bolsonaro veta trechos de um projeto que previam fornecimento de água potável, higiene, leitos hospitalares e acesso facilitado ao auxílio emergencial de parte da população indígena.

Nunca um projeto de lei havia recebido tantos vetos da parte de Jair Bolsonaro.

10 de julho de 2020, 70.398 mortos

A Anvisa alerta para o fato de não haver estudos conclusivos que comprovem a eficácia do uso de ivermectina para o tratamento da covid-19.

Em uma semana, salta de 108 para 128 o total de casos de covid-19 entre os funcionários do Palácio do Planalto.

12 de julho de 2020, 72.100 mortos

Com a pandemia no 136º dia, o governo Bolsonaro só havia distribuído 26,7% dos 46 milhões de testes que prometera que havia prometido entregar até setembro de 2020.

15 de julho de 2020, 75.366 mortos

Jair Bolsonaro, que chegou a pressionar até ministro da Saúde para que recomendasse cloroquina no tratamento de covid-19, mente ao garantir que não recomendava o uso de cloroquina.

18 de julho de 2020, 78.772 mortos

A Sociedade Brasileira de Infectologia alerta que “é urgente e necessário que a hidroxicloroquina seja abandonada no tratamento de qualquer fase da Covid-19”.

Jair Bolsonaro, que três dias antes mentiu ao negar que recomendasse cloroquina, diz ser a prova viva de que cloroquina funciona — não é, nunca foi, e jamais será.

20 de julho de 2020, 80.120 mortos

Pesquisa revela que um quinto dos brasileiros acredita erroneamente que cloroquina seria a cura da covid.

O Ministério da Saúde, que recomendava a omissão de dados sobre escassez de insumos e medicamentos, reconhece a escassez de medicamentos para a intubação de pacientes graves com covid-19.

Enquanto isso, o governo Bolsonaro tinha 4 milhões de comprimidos de cloroquina encalhados no estoque.

21 de julho de 2020, 81.487 mortos

O Ministério da Saúde não renova o maior estudo brasileiro sobre a prevalência do coronavírus.

23 de julho de 2020, 84.082 mortos

Mesmo com covid-19, Jair Bolsonaro conversa sem máscara com os profissionais que fazem a limpeza da residência presidencial.

27 de julho de 2020, 87.618 mortos

Com 4 milhões de compromidos de cloroquina encalhados no estoque, o Ministério da Saúde deixa de divulgar o balanço dos remédios que estão em falta.

28 de julho de 2020, 88.539 mortos

Jair Bolsonaro veta o dispositivo que permitia a terceiros retirarem remédios de uso uso contínuo para pacientes de grupo de risco, forçando o deslocamento destes em plena pandemia.

30 de julho de 2020, 91.263 mortos

Mesmo sem a assinatura do contrato com a AstraZeneca, Jair Bolsonaro passa a fazer ataques xenofóbicos à Coronavac, vacina negociada entre o governo de São Paulo e uma empresa chinesa.

31 de julho de 2020, 92.475 mortos

Para desovar tanta cloroquina encalhada, o Ministério da Saúde quintuplica a distribuição de cloroquina no SUS.

03 de agosto de 2020, 94.665 mortos

Jair Bolsonaro veta um projeto de lei que previa uma indenização de R$ 50 mil a profissionais de saúde que ficassem incapacitados pelo trabalho desenvolvido no combate à covid-19.

A Advocacia-Geral da União e a Controladoria-Geral da União colocam sob sigilo os pareceres que serviram de base ao veto do presidente da República.

06 de agosto de 2020, 98.493 mortos

Com o país se aproximando dos 100 mil óbitos por covid-19, Jair Bolsonaro recomenda apenas “tocar a vida“.

08 de agosto de 2020, 100.477 mortos

Na data em que o Brasil supera as 100 mil vítimas fatais da covid-19, Jair Bolsonaro prefere falar de futebol.

09 de agosto de 2020, 101.049 mortos

Com o total de óbitos em seis dígitos, Jair bolsonaro continua criticando o isolamento social, atacando a Rede Globo e aproveitando a agenda esvaziada nos finais de semana para passear e “ver gente“.

Enquanto isso, os fabricantes já alertam do risco de não haver agulhas para a aplicação de futuras vacinas.

12 de agosto de 2020, 104.201 mortos

Jair Bolsonaro veta trechos de uma Medida Provisória que isentavam de impostos alguns produtos e serviços necessários ao combate à covid-19.

Em uma formatura de policiais federais, Jair Bolsonaro retira a máscara alegando que todo mundo pegaria covid-19 um dia.

13 de agosto de 2020, 105.463 mortos

Em visita a Belém, Jair Bolsonaro mente sobre a cloroquina ter salvado 100 mil vidas.

O governo Bolsonaro planeja deslocar para obras de infraestrutura parte dos R$ 8,6 bilhões aprovados para estados e municípios usarem no combate à covid-19.

15 de agosto de 2020, 107.232 mortos

A Pfizer encaminha a primeira de três propostas para o governo Bolsonaro comprar vacinas com entregas já em dezembro. Os termos eram os mesmos acordados com outros países. O Ministério da Saúde não topou.

18 de agosto de 2020, 109.888 mortos

Mesmo com o total de mortos se aproximando dos 110 mil, o governo Bolsonaro planeja cortar R$ 47 bilhões do orçamento do Ministério da Saúde.

19 de agosto de 2020, 111.100 mortos

Contrariando todas as recomendações de quem de fato entende do assunto, Jair Bolsonaro mente sobre a eficácia das máscaras, desestimulando o uso de proteção tão essencial.

Flávio Bolsonaro é flagrado viajando de avião com a máscara no queixo.

20 de agosto de 2020, 112.304 mortos

O Ministério da Saúde impede o Médicos Sem Fronteira de socorrer aldeias indígenas com cerca de 5 mil indígenas que vivem um colapso sanitário.

22 de agosto de 2020, 114.250 mortos

Jair Bolsonaro promove um evento que no próprio título mente sobre o Brasil estar vencendo a covid-19.

24 de agosto de 2020, 115.309 mortos

Um dia após ameaçar fisicamente um repórter, Jair Bolsonaro volta a desrespeitar a imprensa —e o próprio decoro do cargo— mentindo sobre jornalistas terem mais chances de morrer de covid-19.

01 de setembro de 2020, 122.596 mortos

Muito atrás na corrida pela vacina, o governo Bolsonaro passa a mentir sobre vacinação obrigatória — a vacinação compulsória é permitida por lei.

02 de setembro de 2020, 123.780 mortos

Em mais uma fala eugenista e mentirosa, Jair Bolsonaro volta a defender que quem possui “bom preparo” não precisaria temer a covid-19.

04 de setembro de 2020, 125.502 mortos

Com a pandemia no 192º dia, o Ministério da Saúde tinha distribuído apenas 28% dos testes de covid-19 considerados “padrão ouro”. Por falta de insumos, havia ainda 9,5 milhões em estoque.

08 de setembro de 2020, 127.464 mortos

A Organização Panamericana da Saúde envia um orçamento de seringas. Um parecer técnico do Ministério da Saúde recomenda a compra com frete aéreo, pois seria mais rápido.

O Ministério da Saúde ignoraria o parecer. E levaria três meses para responder à proposta da OPAS.

09 de setembro de 2020, 128.539 mortos

Vinculada ao Itamaraty, a Fundação Alexandre de Gusmão publica um vídeo com mentiras sobre a eficácia do uso de máscaras na pandemia, ou mesmo sobre riscos que apresentariam à saúde.

11 de setembro de 2020, 130.396 mortos

Jair Bolsonaro mente ao afirmar que o Brasil estaria “praticamente vencendo a pandemia“.

16 de setembro de 2020, 134.106 mortos

Após 124 dias, e 119.144 vítimas fatais da covid-19, o Brasil volta a ter ministro da Saúde. Assume o general Eduardo Pazuello, que já assinava como interino da pasta.

Logo após ser efetivado no cargo, Eduardo Pazuello fala da intenção de distribuir em farmácias populares o que chama de “kit covid“, um pacote de medicamentos sem eficácia contra a covid-19.

25 de setembro de 2020, 140.537 mortos

O Ministério da Saúde anuncia a realização do “Dia Nacional da Conscientização para o Cuidado Precoce“, uma ação que promoveria o “kit covid” e, por tabela, o uso de cloroquina no combate à covid-19.

Dias depois, após muitas críticas, a iniciativa seria cancelada.

30 de setembro de 2020, 143.952 mortos

O governo Bolsonaro conclui o mês de setembro reduzindo em 11,5% o total de testes para diagnóstico de covid-19, o que não era recomendado por especialistas.

10 de outubro de 2020, 150.198 mortos

Com o Brasil superando as 150 mil mortes por covid-19, Jair Bolsonaro estimula uma apoiadora a retirar a máscara, critica o isolamento social e defende o uso de cloroquina como tratamento.

11 de outubro de 2020, 150.488 mortos

Com a gestão já próxima da metade, o governo Bolsonaro faz do Brasil o segundo maior devedor da Organização Mundial de Saúde.

13 de outubro de 2020, 150.998 mortos

Com a campanha eleitoral em curso, bolsonaristas usam as redes sociais para cobrar promessas negacionistas dos candidatos, e pregar o voto em candidatos negacionistas.

14 de outubro de 2020, 151.747 mortos

Com mais de 150 mil óbitos confirmados, Jair Bolsonaro, que chegou garantir que não morreriam mais do que 800 brasileiros, insiste que a pandemia teria sido “superdimensionada“.

Ignorando a vacina produzida pelo Butantan, Eduardo Pazuello promete vacinação apenas em abril de 2021, o que rende justos protestos dos governadores estaduais.

18 de outubro de 2020, 153.675 mortos

Durante o final de semana, Jair Bolsonaro é informado que o Ministério da Saúde tem a intenção de comprar 46 milhões de doses da Coronavac ao Butanta. O presidente não se opõe à ideia.

19 de outubro de 2020, 154.176 mortos

Eduardo Pazuello envia ofício ao Butantan confirmando a intenção de comprar 46 milhões de doses da Coronavac.

Em paralelo, uma comissão do Senado confirma Antonio Barra Torres no comando da Anvisa.

20 de outubro de 2020, 154.837 mortos

O Ministério da Saúde finalmente informa ao público a intenção de comprar 46 milhões de doses de Coronavac ao Butanta.

Carlos Bolsonaro adverte o próprio pai que vinha sendo péssima a reação dos bolsonaristas nas redes sociais.

Na mesma data, em edição extra do Diário Oficial, Jair Bolsonaro indica um novo nome para a diretoria da Anvisa.

Mais à noite, o Senado aprova a indicação de Antonio Barra Torres para o comando da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Ao fim das substituições, a diretoria da Anvisa contaria com um militar bolsonarista, um indicado do centrão, e uma defensora do uso de cloroquina no combate à covid-19.

21 de outubro de 2020, 155.403 mortos

Mesmo previamente informado da intenção de compra de 46 milhões de doses da Coronavac, Jair Bolsonaro finge surpresa e desautoriza a negociação.

O teatro do presidente da República inclui ainda reclamações sobre Eduardo Pazuello querer aparecer, como o Mandetta.

Jair Bolsonaro, que passou o ano defendo o uso da cloroquina mesmo sem comprovação científica, disse que “toda e qualquer vacina está descartada” até que tenha “comprovação científica”.

Os governadores estaduais ficam revoltados com o cancelamento da compra da vacina produzida no Butantan.

Mas nem podem se aproximar muito de Eduardo Pazuello, pois o ministro da Saúde confirma estar com covid-19.

Luiz Henrique Mandetta alerta que Jair Bolsonaro estava levando para dentro da Anvisa a guerra política contra João Doria.

Um relatório do TCU aponta falhas do Ministério da Saúde nas ações de combate à covid-19.

Ainda nesse longo dia, a covid-19 mata Arolde de Oliveira, senador bolsonarista dono de uma das redes que mais espalha desinformação sobre a pandemia.

22 de outubro de 2021, 155.900 mortos

O Butantan acusa a Anvisa de retardar a autorização para a importação de matéria-prima para a produção da Coronavac.

Jair Bolsonaro dobra a aposta e garante que a Coronavac não será comprada mesmo com o aval da Anvisa.

Ricardo Barros, líder do governo Bolsonaro na Câmara, volta a defender imunidade de rebanho como solução para a pandemia, algo que as autoridades sanitárias descartam há seis meses.

Por considerar vago, Luís Roberto Barroso manda o governo Bolsonaro refazer o plano para conter o avanço da covid-19 em terra indígenas.

Após um silêncio incomum para alguém tão falastrão, Jair Bolsonaro finalmente se pronuncia sobre a morte do senador Arolde de Oliveira, mas minimiza o ocorrido: “a tendência de todo mundo é chegar lá“.

23 de outubro de 2020, 156.471 mortos

Jair Bolsonaro volta a mentir sobre a cloroquina, e garante que o medicamento seria 100% eficaz no combate à covid-19 — não era, não é, e nunca foi.

24 de outubro de 2020, 156.903 mortos

Os governos Bolsonaro e Trump atuam para reduzir a influência da China na OMS, inclusive no fornecimento de vacinas contra a covid-19, o que explica o desalinho do Palácio do Planalto com o Butantan.

Com João Doria liderando a “corrida” pela vacina no Brasil, bots bosonaristas viram o final de semana pregando no Twitter a queda do governador de São Paulo.

26 de outubro de 2020, 157.397 mortos

Jair Bolsonaro defende que haja mais investimento em remédios inexistentes do que em vacinas contra a covid-19 que se encontram em estado avanço de estudo.

No Amazonas, a segunda onda, que já aterrorizava a Europa e os Estados Unidos, mostra os primeiros sinais, com leitos de UTI 94% ocupados em um hospital de referência.

28 de outubro de 2020, 158.456 mortos

Ricardo Barros, líder do governo Bolsonaro, reúne todo um elenco de negacionistas em comissão externa da Câmara Federal que monitora a covid-19.

29 de outubro de 2020, 158.969 mortos

Em novo reforço à aposta insana, Jair Bolsonaro manda João Doria “arrumar outro” para pagar pela produção da Coronavac.

Paulo Guedes diz que o Brasil não enfrentaria uma segunda onda de covid-19, mas que, se viesse, o país tinha estrutura para enfrentá-la — o ministro estava duplamente errado.

30 de outubro de 2020, 159.477 mortos

Hamilton Mourão garante que o governo Bolsonaro adquiriria doses da Coronavac. Jair Bolsonaro desmente o vice-presidente garantindo que quem manda é o presidente da República.

09 de novembro de 2020, 162.628 mortos

João Doria anuncia que, em 11 dias, receberia um primeiro carregamento de 120 mil doses da Coronavac.

Horas depois, a Anvisa suspende os estudos com a Coronavac alegando a ocorrência de um “evento adverso grave“.

De imediato, o diretor do Butantan estranha a suspensão pois o óbito não teria relação com a vacina.

10 de novembro de 2020, 162.802 mortos

No dia seguinte, Jair Bolsonaro celebra a suspensão dos estudos da Coronavac como sendo uma vitória pessoal.

Sem apresentar qualquer prova ou evidência, o presidente da República acusa a Coronavac de provocar morte e invalidez.

O laudo do IML, no entanto, atesta que a morte do voluntário se deu por suicídio, algo de que a polícia teria certeza.

11 de novembro de 2020, 163.368 mortos

Esclarecida a questão, o Butanta retoma os testes com a Coronavac.

12 de novembro de 2020, 164.281 mortos

Mesmo “vencido”, Jair Bolsonaro insiste que o suicídio do voluntário poderia ser efeito colateral da Coronavac.

No embalo, o presidente da República indica para a diretoria da Anvisa um militar que havia tentado manipular os números da covid-19. Os próprios servidores da Anvisa criticam a indicação.

13 de novembro de 2020, 164.737 mortos

Mesmo com os números da covid-19 novamente em trajetória ascendente, Jair Bolsonaro chama de “conversinha” os alertas sobre uma possível segunda onda da doença.

18 de novembro de 2020, 167.455 mortos

O perfil do Ministério da Saúde chega a corretamente discordar de uma usuária que, no Twitter, defende o uso equivocado de azitromicina como tratamento de covid-19, mas volta atrás.

20 de novembro de 2020, 168.613 mortos

O Ministério da Saúde inicia uma série de conversas com farmacêuticas sobre a produção de vacinas, mas não inclui a Coronvac, vacina que se encontrava mais adiantada no Brasil.

21 de novembro de 2020, 168.989 mortos

Jair Bolsonaro aproveita o discurso no G20 para mais uma leva de críticas à vacinação compulsória, e ainda defende o que chama de “tratamento precoce no combate à doença“.

23 de novembro de 2020, 169.485 mortos

A imprensa descobre que quase 7 milhões de testes para covid-19 correm o risco de perder a validade por falta de distribuição do Ministério da Saúde.

24 de novembro de 2020, 170.115 mortos

Contrariando o TCU, o governo Bolsonaro não apresenta uma proposta detalhada de vacinação.

O Imperial College adverte que o Brasil vive a maior taxa de transmissão do novo coronavírus em seis meses.

A esposa de Eduardo Bolsonaro até faz duras críticas a movimentos antivacina, mas volta atrás dizendo que errou.

26 de novembro de 2020, 171.460 mortos

Como se ninguém tivesse visto os muitos vídeos com o presidente da República chamando a covid-19 de “gripezinha“, Jair Bolsonaro mente ao negar que haja “vídeo ou áudio” dele próprio fazendo uso do termo.

Ainda no pacote de iniciativas contrárias às recomendações sanitárias, Jair Bolsonaro criminosamente ataca o uso de máscara tratando-o como “último tabu a cair“.

01 de dezembro de 2020, 173.817 mortos

Mesmo com o Butantan se dispondo a comercializar vacinas com todo o Brasil, o Ministério da Saúde prevê vacinação apenas a partir de março de 2021.

02 de dezembro de 2020, 174.515 mortos

Hospitais do Rio de Janeiro apresentam 98% de ocupação no leitos de UTI para covid-19.

Em resposta à baixa quantidade de testes que poderiam reduzir o estrago mapeando melhor o avanço da covid-19, Eduardo Pazuello defende que “o verdadeiro diagnóstico não é o teste, é o clínico“.

Por atrasos no planejamento do governo Bolsonaro, os fabricantes alertam que precisam de 7 meses para a entrega das seringas encomendadas pelo Ministério da Saúde.

03 de dezembro de 2020, 175.270 mortos

Após 282 dias de pandemia, o Ministério da Saúde já havia desperdiçado R$ 88 milhões do combate à covid-19 em campanhas que sabotavam o isolamento social e enalteciam o agronegócio.

07 de dezembro de 2020, 177.317 mortos

João Doria anuncia que a população de São Paulo, ou mesmo a que em visita ao estado, começaria a ser vacinada em 25 de janeiro de 2021.

Antonio Barra Torres, o presidente da Anvisa que, no início da pandemia, participava de aglomerações em atos golpistas com Jair Bolsonaro, reclama da estipulação de prazos.

Mesmo com o país sofrendo uma segunda onda de covid-19, Jair Bolsonaro separa espaço na agenda para inaugurar uma exposição das próprias roupas.

08 de dezembro de 2020, 178.159 mortos

Eduardo Pazuello diz que a Anvisa só deve registrar qualquer vacina ao final de fevereiro de 2021.

Um deputado bolsonarista de São Paulo pede à Anvisa para que não autorize a distribuição de Coronavac no Brasil.

Os fabricantes alertam que o governo Bolsonaro ainda não havia entregue um cronograma de vacinação, o que poderia atrasar a entrega de seringas e agulhas.

09 de dezembro de 2020, 178.995 mortos

Luiz Henrique Mandetta alerta para o fato de o Plano Nacional de Imunização para a covid-19 entregue por Eduaro Pazuello ser meramente uma cópia do plano de vacinação da gripe.

10 de dezembro de 2020, 179.765 mortos

Mesmo com o Brasil confirmando mais de 50 mil novos casos de covid-19 em apenas 24 horas, o novo ministro do Turismo pede para que governadores e prefeitos “não façam lockdowns“.

15 de dezembro de 2020, 182.799 mortos

Jair Bolsonaro revela que pedira ao ministro da Saúde para fazer uma campanha contra as vacinas da covid-19.

16 de dezembro de 2020, 183.735 mortos

Mesmo com mais de 400 mil compromidos encalhados em estoque, o governo Bolsonaro prepara uma nova compra de cloroquina.

18 de dezembro de 2020, 185.650 mortos

Em mais uma fala contrária às vacinas, Jair Bolsonaro reclama de eventuais efeitos colaterais. E faz uso de uma hipérbole que vira piada em todo o mundo.

19 de dezembro de 2020, 186.356 mortos

Mesmo com o país caminhando a passos largos para os 200 mil óbitos por covid-19, Jair Bolsonaro diz que “pressa para a vacina não se justifica“.

20 de dezembro de 2020, 186.764 mortos

Mesmo com a pandemia no 299º dia, uma auditoria do TCU confirma que o Ministério da Saúde não possui plano estratégico para combater a covid-19, e alerta para a falta de equipamentos de proteção e testes.

Em paralelo, algumas secretarias de saúde receberam cloroquina suficiente para um século das necessidades das populações locais.

21 de dezembro de 2020, 187.291 mortos

Vem a público que o Exército justificara a superfaturada e desnecessária compra de cloroquina como uma forma de “produzir esperança” — mas só produziu relaxamento nos cuidados mesmo.

24 de dezembro de 2020, 189.982 mortos

Na véspera do Natal, Jair Bolsonaro celebra o atraso na divulgação da eficácia da Coronavac.

26 de dezembro de 2020, 190.795 mortos

Um protesto contra o fechamento do comércio em Manaus causa uma gigantesca aglomeração e recebe apoio público de deputados bolsonaristas.

29 de dezembro de 2020, 192.681 mortos

O Ministério da Saúde consegue menos de 3% das 331 milhões de seringas necessárias para a vacinação contra a covid-19.

01 de janeiro de 2021, 195.411 mortos

Mesmo com a segunda onda ainda sem um pico definido, Jair Bolsonaro veta trechos do orçamento de forma a impedir gastos maiores com a vacinação.

O governo Bolsonaro também acaba com a isenção tributária na importação de cilindros para armazenamento de gases, o que impacta o fornecimento de oxigênio a hospitais.

03 de janeiro de 2021, 196.018 mortos

O Ministério da Saúde é informado da “possibilidade iminente de colapso do sistema de saúde“.

04 de janeiro de 2021, 196.561 mortos

Didier Raoult, o médico francês que primeiro divulgou os milagres que a cloroquina não obrava, admite pela primeira vez que o remédio não tem eficácia contra a covid-19.

06 de janeiro de 2021, 198.974 mortos

O governo Bolsonaro, após comprar um volume desnecessário de cloroquina 167% superfaturada, suspende a compra de seringas até que o preço volte ao normal — ou seja, enquanto houver pandemia.

07 de janeiro de 2021, 200.498 mortos

A White Martins, principal fornecedora dos principais hospitais de Manaus, faz um alerta incisivo sobre a escassez de oxigênio na capital amazonense.

Na mesma data, Eduardo Pazuello tenta forçar a prefeitura de Manaus a fazer uso do que chama de “tratamento precoce” — ou seja, de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina.

08 de janeiro de 2021, 201.460 mortos

Eduardo Pazuello já sabe da escassez de oxigênio em Manaus.

O ministro da Saúde tenta confiscar agulhas e seringas do governo de São Paulo, mas seria contido pelo STF.

Mesmo se recusando a ser vacinado, Jair Bolsonaro impõe um sigilo de cem anos ao próprio cartão de vacinas.

09 de janeiro de 2021, 202.631 mortos

Mesmo com mais de 200 mil mortos por força da covid-19, o ministro do Turismo celebra a “superlotação” das praias brasileiras.

10 de janeiro de 2021, 203.100 mortos

Em uma reunião realizada em Manaus, o governo Bolsonaro pede para que a maior cidade da região amazônica não trabalhe com lockdown, mas uma medida menos severa.

11 de janeiro de 2021, 203.580 mortos

O Ministério da Saúde é alertado que os hospitais de Manaus ficariam sem oxigênio. Eduardo Pazuello responde que não há nada que pode ser feito.

13 de janeiro de 2021, 205.964 mortos

O Ministério da Saúde, que vinha negando a falta de seringas, reconhece ao STF que não possui seringas suficientes para a vacinação contra a covid-19.

No Twitter, em postagem que seria penalizada pela própria rede, a pasta faz propaganda do que chama de “tratamento precoce“, um tratamento que não é indicado por qualquer entidade séria.

14 de janeiro de 2021, 207.095 mortos

O Ministério da Saúde lança um aplicativo para estimular o uso de remédios sem eficácia comprovada no tratamento da covid-19.

De extrema irresponsabilidade, o aplicativo receita até mesmo antibióticos a qualquer pessoa que atinge a pontuação mínima calculada por um algoritmo simples.

Cabe ressaltar que o abuso de antibióticos em tratamentos negacionistas pode promover o surgimento de superbactérias resistentes ao medicamento.

Como previsto, o sistema de saúde entra em colapso, e os hospitais de Manaus ficam sem oxigênio.

O Amazonas avisa que, por falta de oxigênio, precisa transferir 60 bebês prematuros a outros estados.

Ao menos 51 pessoas morrem em todo o Amazonas por falta de oxigênio.

Mesmo assim, Wilson Lima, governador do Amazonas, seguindo as orientações do Ministério da Saúde, assina um decreto com medidas menos severas que o lockdown.

15 de janeiro de 2021, 208.246 mortos

Atrás na corrida pela vacina, o governo Bolsonaro adesiva um avião que traria imunizantes da Índia. Mas o estardalhaço vira motivo para a nação asiática adiar um acordo que demandava discrição.

17 de janeiro de 2021, 209.847 mortos

Por esforços do governo de São Paulo, o Brasil consegue finalmente aplicar a primeira dose de vacina. No caso, a Coronavac, a mais atacada por Jair Bolsonaro.

O presidente da República, que chegou a celebrar a suspensão da vacina por obra de um suicídio, desaparece das redes sociais após o início da vacinação.

O Ministério da Saúde inicia uma coletiva para ofuscar a que vinha sendo concedida por João Doria, e mente ao dizer que pagara pela vacina que o governo de São Paulo distribuía.

18 de janeiro de 2021, 210.328 mortos

Jair Bolsonaro finalmente reaparece. Em ato falho, solta um “apesar da vacina“, mas logo tenta se corrigir.

O presidente da República, que tanto tentou sabotar o trabalho do Butantan, agora diz que a Coronavac é do Brasil, e “não de nenhum governador“.

De quebra, Jair Bolsonaro, mais uma vez usando as Forças Armadas como ferramenta para um golpe de estado, faz ameaças à democracia.

Eduardo Pazuello mente ao negar que tenha promovido remédios sem eficácia contra a covid-19.

O ministro da Saúde, que foi levado ao cargo por supostamente entender de logística, distribui com atrasos a Coronavac aos demais estados do país.

19 de janeiro de 2020, 211.491 mortos

A crise diplomática com a China alimentada por ataques xenofóbicos da família Bolsonaro e bolsonaristas dificulta a aquisição de insumos para a produção de mais vacinas no Brasil.

A índia libera a exportação de vacinas, mas deixa de fora o Brasil, país que se alinhou a Donald Trump na criação de obstáculos para que a nação asiática abolisse a patente de imunizantes.

25 de janeiro de 2021, 217.664 mortos

Jair Bolsonaro compartilha nas redes sociais um vídeo que se refere à pandemia como “palhaçada midiática fúnebre“.

28 de janeiro de 2021, 221.547 mortos

No dia em que o país registra o terceiro maior número de óbitos por covid-19, Jair Bolsonaro usa as redes sociais para defender que os estádios voltem a ter partidas de futebol com torcidas “o mais cedo possível“.

01 de fevereiro de 2021, 225.099 mortos

Contrariando manifestações por um processo de impeachment do presidente da República, o Congresso Nacional escolhe dois aliados Jair Bolsonaro para os comandos da Câmara Federal e do Senado.

Para tal feito, o governo Bolsonaro, que chegou a suspender compras de seringas por causa do preço, liberou R$ 3 bilhões em emendas para 85 parlamentares.

Arthur Lira, que prometeu impedir que os parlamentares investiguem os crimes cometidos por Jair Bolsonaro, celebrou a conquista da Presidência da Câmara com uma festa para 300 pessoas — sem máscaras.

Conclusão

Esse levantamento tentou catalogar o máximo de episódios em que Jair Bolsonaro, o Governo Federal ou mesmo os apoiadores do presidente da República dificultaram o combate à covid-19.

Numa época em que há um excesso de informação na mídia, há registros detalhados de praticamente todo fato relevante, o que ajuda a documentar o fenômeno para a história.

Uma passagem, contudo, ainda carece de data mais precisa. Mas pode acabar com dúvidas sobre se a linha do tempo acima narra uma sequência gigantesca de equívocos ou de crimes.

O Brasil terminou março de 2020 lamentando um total de 201 óbitos por covid-19.

Contudo, em julho de 2020, Wanderson Oliveira, já ex-secretário do Ministério da Saúde, revelaria que, ainda em março, o governo Bolsonaro sabia que o país acumularia 100 mil mortos até setembro.

De fato, a reunião ministerial de 22 de abril de 2020 se conclui com Rubem Novaes, então presidente do Banco do Brasil, comentando que o pico da pandemia já teria passado.

No entanto, Braga Netto, chefe da Casa Civil, responde: “É que o senhor não viu o número que nós mostramos lá em cima, agora, mas isso é outra história“.

Em julho de 2020, Luiz Henrique Mandetta trouxe mais detalhes.

De acordo com o ex-ministro da Saúde, ao decidir ignorar os números da pasta, Jair Bolsonaro respondeu: “Qualquer coisa bote na minha conta, jogue no meu colo“.

Ainda segundo Mandetta, Bolsonaro foi além, e disse: “Essa doença é que nem chuva, eu quero que todo mundo se molhe, porque daí todo mundo já tem essa gripe de uma vez só e acaba com isso“.

Em outras palavras, o ex-ministro da Saúde acusou o presidente da República de deliberadamente, mesmo ciente das milhares de mortes que poderia evitar, agir para que os brasileiros adoecessem.

O Brasil tem 2,7% da população mundial, mas mais de 10% dos óbitos por covid-19. Pela lógica, o país teve em torno 150 mil mortes a mais do que o esperado para uma nação com 211 milhões de habitantes.

Em outubro de 2020, um estudo constatou que a influência de Jair Bolsonaro em determinadas regiões de fato amplia o número de casos de covid-19, e ainda mais o de óbitos.

Em janeiro de 2021, um relatório da Human Rights Watch concluiu que Jair Bolsonaro tentou sabotar os esforços do Brasil para conter a disseminação da covid-19. E um estudo australiano conclui que o Brasil foi o país que pior enfrentou a covid-19 dentre 98 nações analisadas.

Em um esforço para mapear o volume de desinformação produzido pelo presidente brasileiro, a agência Aos Fatos já catalogou 982 oportunidades em que Jair Bolsonaro distorceu fatos sobre a covid-19.

Mas nenhum número é mais assustador que os 225.099 óbitos por covid-19 contabilizados no Brasil até a redação destas palavras.

É difícil até mesmo vislumbrar o que um número assim significa. Esse longo levantamento, por exemplo, possui mais de 8 mil palavras.

Se fosse elaborada uma lista com apenas o primeiro nome de cada vítima fatal da covid-19 no Brasil, o trabalho renderia uma leitura 27 vezes mais longa.

Os fatos narrados acima retratam crimes contra a humanidade. Mas o único brasileiro com poder para investigar Jair Bolsonaro prefere envergonhar a PGR com (mais) uma ameaça à democracia.

Resta, portanto, afastar Jair Bolsonaro por um processo de impeachment. Que há de ser apenas o primeiro passo em busca de Justiça contra todos os que colaboraram com tamanha tragédia.

Um manifesto de ex-alunos brasileiros da escola de Direito da Universidade de Harvard mostra o caminho jurídico para que tenha fim essa contínua lista de sabotagens à saúde da população.

Segundo o texto, “em busca de satisfazer unicamente seus interesses políticos pessoais, o Presidente da República posicionou-se inequivocamente de maneira a facilitar e potencializar o contágio, a morte e a crise social“.

Ainda de acordo com o manifesto, “tais atos configuram crimes de responsabilidade, notadamente diante da violação patente ao direito à saúde da população (art. 7°, n. 9 da Lei 1.079/50), das omissões em tornar efetiva a responsabilidade de seus subordinados que também violam tal direito (art. 9º, n. 3 da Lei 1.079/50) e do flagrante abuso de poder político ao utilizar a visibilidade e o prestígio inerentes ao cargo para desacreditar recomendações sanitárias consensuais, potencializando a disseminação da pandemia e, consequentemente, do número de mortos entre a população (art. 9°, n. 7 da Lei 1.079/50)“.

E ainda: “A tentativa de obstrução de medidas sanitárias dos chefes dos executivos estadual e municipal explicita o constante esforço de quebra do pacto federativo (art. 6°, n. 8 da Lei 1.079/50) em busca de benefício político pessoal“.

Fontes

Esse texto só pôde ser escrito graças ao trabalho de uma imprensa profissional que apurou as informações referenciadas mais acima, e que aqui embaixo é reverenciada: A Tarde, Agência Brasil, Agência Pública, Aos Fatos, BandNews FM, BBC Brasil, BR Político, CNN Brasil, Congresso em Foco, Correio Braziliense, DW, El País Brasil, Época, Estadão, Estado de Minas, Exame, Extra, Folha de S.Paulo, France Bleu, G1, GZH, IstoÉ, Metropoles, O Antagonista, O Globo, O Tempo, Piauí, Reuters, The Guardian, The Straits Time, The Telegraph, The Thaiger, Último Segundo, UOL, Valor Econômico, Veja e Yahoo Notícias.

Não existe país decente sem imprensa livre.

Como Jair Bolsonaro sabota o combate à covid-19
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