Grande História

Sem qualquer estudo, Bolsonaro coloca em risco a vida de milhares de brasileiros

27.03.2020 - Brasília/DF - Presidente da República Jair Bolsonaro, durante coletiva de imprensa ao lado do Presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, do Presidente da Caixa Pedro Guimarães e do Presidente do BNDES Gustavo Montezano. Foto: Marcos Corrêa/PR

A covid-19 matando mais do que a dengue, a campanha assassina do governo Bolsonaro, a falta de base para criticar o confinamento, e mais.

No ano de 2015, a dengue matou brasileiros como nunca. Foram 986 óbitos. Em 2019, foram 754 mortes até a primeira semana de dezembro. Mas, só de ontem para hoje, a Itália, que tem uma população 70% menor do que a brasileira, chorou a morte de 919 vítimas da covid-19.

Exatamente um mês antes, a segunda maior cidade italiana deu início a uma campanha para que os moradores voltassem ao trabalho. Desde então, o novo coronavírus matou 4.474 milaneses, uma média de 149 por dia.

Se na Europa a campanha foi batizada de “Milão não para“, no Brasil, o governo Bolsonaro, ao custo de R$ 4,8 milhões, já trabalha no anonimato das redes sociais o slogan “O Brasil não pode parar“.

Em outras palavras, entre a tragédia humanitária e o colapso econômico, escolheram a tragédia humanitária, o que não deve evitar o colapso econômico. Conforme estudo recente sobre a gripe espanhola, economistas do Banco Central americano notaram que as cidades que adotaram quarentenas viveram dificuldades econômicas similares durante a pandemia, mas se recuperaram com maior facilidade na sequência.

Alérgico a conhecimento

O presidente brasileiro contudo, deve ter alergia a papers de economistas do FED, ou não seria do tipo que diz que funcionários de lotéricas estão protegidos do novo coronavírus por causa de um suposto vidro blindado. Ou ainda que o brasileiro “pula no esgoto” sem qualquer consequência para a saúde.

Ministério sem braço

Com um chefe lelé da cuca e carniceiro das ideias, o Ministério da Saúde precisa cometer malabarismos como dizer que não recomenda o fechamento do comércio, mas também não recomenda a abertura – muito pelo contrário, ou não.

“Povo” de SUV?!

É isso ou encarar um protesto como o observado na República de Curitiba, no qual manifestantes exigiam a reabertura do comércio de dentro de carrões – para não haver risco de pegarem o que chamam de “gripezinha”, aquilo que aparentemente está reservado aos funcionários das empresas que retomariam as atividades.

Sem qualquer estudo

Contra o confinamento imposto por prefeitos e governadores, Jair Bolsonaro e seu milicianos digitais defendem o que chamam de “isolamento vertical“, uma quarentena que atingiria apenas grupos de risco. Mas o próprio governo Bolsonaro admitiu aos secretários estaduais não possuir qualquer estudo que sirva de base para uma decisão que colocará em risco a vida de milhares de brasileiros.

Postura criminosa

Não por acaso, ativistas ligados aos direitos humanos apresentaram uma notícia-crime à PGR, a mesma PGR acionada pelo PSOL para que investigue a campanha genocida preparada pela comunicação do governo – o duro é o procurador-geral despertar do sono governista a que se entregou desde que assumiu o cargo.

Desenhou

Sinais positivos

Um levantamento de pesquisadores da USP já nota os primeiros resultados positivos do confinamento adotado em São Paulo, o que, claro, é celebrado pelo governador. Enquanto isso, robôs levantavam campanhas na web pelo impeachment de João Doria, que sofreu até ameaças de morte – o tucano suspeita que partiram dos milicianos digitais coordenados por Carlos Bolsonaro.

Sinais negativos

A subnotificação, contudo, não é um fenômeno a ser ignorado. A Fiocruz percebeu que, na semana de 15 a 21 de março, houve no Brasil 9 vezes mais internações por problemas respiratórios. E o maior cemitério de São Paulo já se habitua a sepultar caixões lacrados mesmo de casos ainda não confirmados de covid-19.

Abre Aspas

“Quem quer dar um golpe jamais vai falar que vai dar.”

Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, evitando negar ou confirmar que pretenda “dar um golpe e fechar o Brasil“.

Curtas

  1. As Forças Armadas não ignoraram que, ao pregar contra o confinamento, Jair Bolsonaro vislumbra o fim da normalidade democrática.
  2. Testando até que ponto as instituições encararão com naturalidade o autoritarismo dissimulado, um grupo de advogados bolsolavetes pediu ao presidente da República a decretação do estado de defesa.
  3. De ontem para hoje, o novo coronavírus matou 15 brasileiros, cinco a menos do na véspera, o que é positivo, ainda que seja cedo para comemorar.
  4. Um erro de digitação fez o Ministério da Saúde informar ao da Economia que, para combater o novo coronavírus, precisava de R$ 400 bilhões a mais do que de fato necessitava.
  5. Extremamente criticado por Jair Bolsonaro quando ainda em campanha, o Mais Médicos, que em breve contratará 1.800 cubanos, possui mais de 4 mil vagas em aberto.
  6. A Câmara Federal aprovou por unanimidade um auxílio emergencial de até R$ 1.200 por família pelos próximos três meses – o que pode ser considerado uma vitória tardia de Eduardo Suplicy.
  7. Na luta contra o negacionismo bolsolavista, Ronaldo Caiado pediu a quem encara a covid-19 como “gripezinha” para trabalhar de graça nos hospitais – não vai, claro.
  8. O primeiro ministro britânico, que iniciou março dizendo que o novo coronavírus não iria impedi-lo de apertar mãos, está fechando o mês com covid-19.
  9. O episódio lembra o caso do pastor que, após tratar a pandemia como histeria, tornou-se a primeira vítima fatal da covid-19 na Virginia, estado americano onde se autoexila o maior filósofo amador do Brasil.
  10. Enquanto pastores caça-níqueis colocam em risco a vida de evangélicos brasileiros, o Papa Francisco rezou solitário na praça São Pedro para que a humanidade consiga superar o novo coronavírus.

Um Pio

Fontes

Essa coluna só pôde ser escrita graças ao trabalho de uma imprensa profissional que apurou as informações referenciadas mais acima, e que aqui embaixo é reverenciada: BBC, Correio Braziliense, Daily Mail, Época, Estadão, Folha de S.Paulo, IstoÉ, G1, O Antagonista, O Globo, Reuters, Valor Econômico e Veja.

27.03.2020 - Brasília/DF - Presidente da República Jair Bolsonaro, durante coletiva de imprensa ao lado do Presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, do Presidente da Caixa Pedro Guimarães e do Presidente do BNDES Gustavo Montezano. Foto: Marcos Corrêa/PR

A imagem que ilustra essa edição foi registrada em 27 de março de 2020 por Marcos Corrêa, fotógrafo da Presidência da República, em Brasília, Distrito Federal. Nela, Jair Bolsonaro participa de coletiva de imprensa.

Não existe país decente sem imprensa livre.

Canção do dia

Porque o lucro é mesmo uma máquina de louco.

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