13 de março de 2020

Impeachment é pouco

A Itália acumulava mais de mil mortes pelo novo coronavírus quando Jair Bolsonaro, dois dias após fazer pouco caso da pandemia, surgiu no Brasil de máscara na transmissão que habitualmente apresenta às quintas-feiras. O presidente da República estava sendo testado para a covid-19. Instantes depois, Bolsonaro usou dois terços de um pronunciamento nas redes de rádio e televisão para dar satisfações aos militantes que convocavam uma manifestação golpista para o próximo domingo. Na fala, ignorando que jurava ser este um ato cívico a favor do Brasil, pediu seu adiamento argumentando que um “tremendo recado” tinha sido dado ao Congresso.

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9 de abril de 2020

Escutem os especialistas, ignorem os idiotas

Em meados dos anos 1950, sem o mesmo rigor trabalhado atualmente, a indústria farmacêutica estava certa de que era seguro receitar talidomida para grávidas não mais sentirem enjoos matinais. Após 8 anos, com 46 países comercializando o produto, o sedativo foi retirado de circulação. Até 1962, mais de 10 mil bebês tinham nascido com má formação nas pernas e braços em decorrência do uso da droga. Na época, como o FDA exigiu testes mais firmes, os Estados Unidos escaparam da tragédia. Mas Alemanha, Reino Unido, Austrália e Brasil vivenciaram o drama. Desde então, o caso é exemplo da necessidade dos devidos testes de laboratório antes de uma medicação ser lançada no mercado.

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14 de abril de 2020

É um erro apostar em acertos de Bolsonaro

Passadas 48 horas, ficou ainda mais nítido que a entrevista de Luiz Henrique Mandetta no último domingo foi uma forma de forçar a própria demissão, algo que ele nega. No cálculo equivocado do ministro da Saúde, a queda dele faria com que milagrosamente Jair Bolsonaro se tornasse a pessoa responsável que não foi por 65 anos de vida.

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16 de abril de 2020

Por puro egoísmo, Bolsonaro demitiu o ministro mais necessário

Minutos após a confirmação de 596 mortes por covid-19 em apenas três dias, a queda de braço chegou ao fim: Jair Bolsonaro demitiu o ministro da Saúde. De imediato, panelaços foram ouvidos em diversas localidades do Brasil. Se a queda de Luiz Henrique Mandetta era desejo antigo do presidente da República, o próprio ministro vinha cavando a demissão desde sábado, quando, em visita às obras de um hospital de campanha em Goiás, o chefe se deu a provocar o auxiliar criminosamente se entregando a aglomerações. “São 60 dias nessa batalha. Isso cansa“, reclamou o demitido ainda ontem em entrevista.

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22 de abril de 2020

Para se blindar do impeachment, Bolsonaro aderiu ao “toma lá, dá cá” que tanto criticava

No domingo, dia 19, Jair Bolsonaro protagonizou um discurso golpista em Brasília. Na terça, dia 21, o Datafolha percebeu que, em decorrência da distribuição de R$ 600 como auxílio emergencial, aquele que Carlos Bolsonaro chamou de socialista, a avaliação do presidente não vem sofrendo grandes estragos. Em outras palavras, ficou claro que, com dinheiro no bolso, a democracia que lute.

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